Ester Farias de Oliveira

Momentos e Movimentos, Lúcidos Pensamentos

Textos


              Meus pensamentos.

               Sim. Sobre os meus pensamentos que vou escrever agora. Porque eles andam bombados e, preciso, urgentemente, fazer algum exercício mental para liberar o excesso gorduroso dessas energias.
               Essa pandemia que me deixou de castigo por tanto tempo; que me fez refletir sobre tantas coisas; que aumentou uma ansiedade já muito grande; deixa uma carga pesada de pensamentos que agora preciso dar um jeito de resolver.
          Imaginem vocês que eu, uma mulher bem resolvida, equilibrada, mãe e avó de quatro (filhos e netos), caiu numa armadilha tão infantil.

           Tudo bem. Estou novamente recomposta. Mas o obeso pensamento que me obriga a investigar o que me fez cair nessa armadilha tão idiota, precisa ser exercitado a um nível que me faça voltar a pensar de forma equilibrada.
            Isso tem que ficar registrado porque estou caminhando para a velhice e nunca se sabe como estará minha memória daqui a pouco tempo.
          Tudo começou quando reencontrei uma pessoa que conheci durante a minha adolescência. Ele namorou firme com minha irmã. Ela tinha uns quinze anos; ele, dezessete e eu, quatorze.
               Não sei o porquê, mas minha irmã viajou, noivou e casou com outra pessoa aos vinte e um anos e foi morar longe.
             Eu estava no meu primeiro emprego quando essa pessoa surgiu ensaiando um flerte comigo, mas não dei muita bola e apenas o tratava como um amigo. Olhava para ele sempre como o "ex namorado" da minha irmã e ponto.

          Pois bem.
     Eis que, depois de muito tempo, surge essa pessoa, na frente da minha casa, perguntando se, por acaso, eu era irmã de sua ex namorada.
     Ele, agora com sessenta e três, não me reconheceu e até hoje luta com sua memória porque não consegue lembrar da minha pessoa.
             Enfim.

          Tivemos bons encontros e saímos juntos. Ele me pediu em casamento e me levou para morar com ele.
        Foram seis meses de sexo criativo; convivência divertida, mimos, enfim, muito mais do que os meus pensamentos imaginaram durante o enclausuro pandêmico.

          Mas, de repente, acordei e, do meu lado, havia um ser estranho que reclamava de tudo, dizendo que queria morrer. Nenhum mimo, nem beijo, nem abraço, somente murmúrios cada vez mais intensos e contundentes.
          Ele ficava o dia todo "zanzando" na rua; voltava quase à noite, dizendo que estava cansado e com sono.
          E, eu, novamente sozinha, atordoada com novos pensamentos que me torturavam o dia todo.
          Esperei três dias, pensando que era só um probleminha de saúde passageiro. Mas a situação piorava.
          Quando perguntei se ele queria que eu fosse junto com ele para resolver os problemas que tanto o atormentava, ele respondeu com um inconfundível "não".
          Então, quando ele saiu, arrumei tudo que tinha levado e fui embora. Restou esse pensamento obeso que ainda me incomoda muito.
          Agora vamos aos exercícios.
     Não foi ruim. De jeito nenhum. Eu estava sozinha há oito anos. Totalmente desinteressada. Achava que não conseguiria fazer mais sexo com ninguém.
     Desde que me encontrei com essa pessoa maravilhosa, senti que havia vida dentro de mim e isso foi bom.
          Gostaria que durasse mais. Sim. Mas, acabou e tenho que seguir. Não interessa como tudo aconteceu para, de repente, acabar. Mas não adianta insistir. Acabou e pronto. Vida que segue.
 
 
                    
                         
Ester Farias de Oliveira
Enviado por Ester Farias de Oliveira em 26/01/2021
Alterado em 27/01/2021


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