Ester Farias de Oliveira

Momentos e Movimentos, Lúcidos Pensamentos

Textos


INTRODUÇÃO
Eis aí um título revelador de um triângulo perigoso, instigante e envolvido em escândalos históricos.
Não vou incluir a palavra mistério na definição deste trio temático, vez que o objetivo maior aqui é desmistificar e mitigar essa tendência humana em transformar pessoas diferentes em seres poderosos.
Infelizmente, algumas, não todas, vendo que qualquer novidade que a diferencie da maioria pode colocá-la em posição privilegiada, aproveitam circunstâncias para dominarem um grupo de pessoas ignorantes, tirando proveito delas que, muitas vezes, estão em situações de vulnerabilidades físicas e psicológicas.
Registro aqui minhas reflexões depois de fazer buscas e pesquisas sobre os fenômenos provocados por seções individuais e coletivas produzidas por diversos meios de comunicação, envolvendo pessoas que possuem uma certa habilidade de leituras,visões e outras sensibilidades que os tornam diferentes e, até, na visão de alguns, seres especiais ou sobrenaturais.
Esses indivíduos tiveram um grande destaque nos noticiários, vez que conquistaram posições de poder pelo fato de revelarem habilidades estranhas. Alguns são conhecidos como médiuns, principalmente por especialistas de instituições religiosas que se dizem espíritas ou espiritualizadas.
Por outro lado há cientistas que teorizam essas circunstâncias a partir de estudos sobre uma glândula dentro do crânio dos seres humanos, ou seja, no cérebro.
Constatou-se que algumas dessas pessoas que afirmam ter visões e ouvir vozes de espíritos possuem essa glândula com características diferentes. Sua glândula pineal é maior e possuem cristais mais visíveis do que nos cérebros de outras pessoas.
A partir dessas manifestações, instituições religiosas fazem a relação desse órgão ao fenômeno da mediunidade.
A glândula pineal está localizada entre as duas metades da massa encefálica, na direção entre as sobrancelhas, bem na parte interna do crânio. Muitos exotéricos denominam de terceiro olho. E, segundo alguns especialistas, quanto mais cristalizada, mais o indivíduo terá capacidade de ter visões ou outras sensações diferenciadas, porque esses cristais captam energias magnéticas. Há quem diga que nossos pensamentos são energias magnéticas captáveis por esses cristais.
Observei, assistindo documentários que tratam desse tema, que quando uma criança percebe que escuta vozes ou tem visões de formatos diversos fora da dimensão normal, em sua maioria, são abraçados por instituições religiosas que dizem entender todas as questões que surgem quando se deparam com esses fenômenos de sensibilidade diferenciada. A mediunidade é uma das explicações oferecida pela religião espírita, bem como a budista e outras.
Isso aqui não é um debate religioso e tão pouco uma revolta contra uma determinada instituição religiosa; nem mesmo uma tentativa de valoração da dicotomia bem e mal.
O objetivo maior aqui é de registrar minhas colocações reflexivas de forma objetiva sem preocupação com apelos para conversão ou abandono de qualquer tipo de religião. Trata-se de uma observação pragmática de um fenômeno que diz fazer um link direto com outra dimensão. Neste caso uma dimensão espiritual.
A propósito, no meu íntimo, aprovo toda e qualquer instituição religiosa que tenha como objetivo promover ações de beleza, bondade e verdade em uma comunidade.
Alguns desses médiuns procuram se divertir e revelam suas habilidades de lidar com tal sensibilidade, conforme as oportunidades vão surgindo.
Mas, como se pode ver, em toda e qualquer instituição que traz a espiritualidade para o ambiente político da sociedade, temos visto algumas pessoas sensitivas que quando são posicionados como autoridade que possui poderes sobrenaturais e provocam temores e excitação de todo tipo, constroem teias perigosas para si e para todos ao seu redor. Daí, acontecem as revelações midiáticas de consequências nefastas.
Vamos começar com um tema muito explorado nos meios científicos e exotéricos: a glândula pineal.
Afinal de contas que órgão é esse que se envolve em tantas polêmicas e, por vezes, surge como uma incógnita que responderia muitas questões sobre sensações e visões verificadas em pessoas que são chamadas como sensitivas?
 Em seguida registraremos as particularidades dos temas de mediunidade e ego para só então fazer as observações conclusivas pertinentes.

GLÂNDULA PINEAL
 
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Segundo a definição extraída da famosa wikipédia, trata-se de uma glândula "também conhecida como “conarium”, epífise cerebral ou simplesmente pineal, é uma pequena glândula endócrina no cérebro dos vertebrados. A glândula pineal produz melatonina, um hormônio derivado da serotonina que modula os padrões de sono nos ciclos circadianos e sazonais".
A glândula pineal fica localizada ao fundo e na parte central do cérebro, entre as duas metades do órgão, e ao nível da sobrancelha. Ela era comumente denominada "terceiro olho" por muitas razões, incluindo sua localização no centro do cérebro.
Descartes descreveu essa glândula como "assento principal da alma". Muitas religiões espíritas sugerem que esse ponto serve como uma conexão metafísica entre os mundos físico e espiritual.
Algumas instituições ainda sugerem que se o indivíduo fizer treinamentos e mudanças de hábitos pode promover a descalcificação da glândula e, quiçá, tornar-se um grande guru espiritual ou um perigoso ser que poderá usar esse poder para objetivos particulares.
Primeiro temos estudos científicos que buscam uma resposta precisa para os fenômenos de circunstâncias reais que sugerem existir contatos com o sobrenatural ou uma dimensão não material. Depois temos coleções de testemunhos e até vídeos que tentam demonstrar essa dimensão vista por poucos. Podemos também incluir aqui as experiência de quase morte, cujos depoimentos, em sua maioria, fazem uma ligação direta com as teorias espíritas.
 Os estudos de alguns doutores neurocirurgiões, não vou citar nomes aqui, tem um denominador comum: alguns indivíduos possuem mais cristais em suas glândulas do que outros e isso pode responder sobre visões diferenciadas. Mas não há nenhum laudo conclusivo sobre a convivência dessas pessoas com seres espirituais, não se pode com isso afirmar ou concluir que essas pessoas tem mesmo um acesso privilegiado a um certo conhecimento além da dimensão física.
Já as pessoas que buscam o conhecimento além da dimensão física, geralmente membros de instituições religiosas, batem o martelo e trazem de forma enfática e conclusiva que as pessoas que descalcificam a glândula pineal terão o privilégio de ver e se comunicar com seres da dimensão espiritual.
A glândula pineal produz o hormônio da felicidade. Qualquer observador leigo, mas pragmático, afirmará sem ter lido nada que a pessoa que se protege muito da luz solar tende à tristeza e depressão. Então, faz sentido dizer que admirar o nascer e o pôr do sol é um caminho salutar no sentido físico e emocional.
Para finalizar essa questão fisiológica da glândula pineal, deixo aqui uma questão: Uma pessoa que busca o conhecimento além da dimensão física vai conseguir administrar suas limitações físicas e emocionais porque consegue ver e sentir seres de outras dimensões?
Passemos então a expor sobre o próximo tema para tentar concluir essa reflexão.
O MÉDIUM

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Mediunidade, ou canalização, definição extraída também da wikipédia, é o nome que se dá quando ocorre  a  comunicação entre encarnados e desencarnados.
Já vi shows de vídeos em que os ditos médios se comunicam inclusive com animais de estimação desencarnados.
Também vimos a manifestação espiritual via corpo físico que não lhe pertence em vários meios midiáticos.
Entretanto, somente  a partir do Século XIX que a mediunidade começou a ser um objeto de intensa investigação científica.

Assim, nessa via espiritualista, um espírito que deseja comunicar-se entra em contato com a mente do médium ativo, e, por esse meio, pode se comunicar verbal, por escrito e até em imagem de suas características físicas.
Alguns fenômenos foram registrados. Tais como levitações, batidas, escrita direta, voz direta, e até voz eletrônica.
Também há a via investigativa que consiste em um médium ler impressões e recordações pelo contato com objetos comuns para desvendar crimes ou até encontrar pessoas desaparecidas.
A mediunidade de cura é a que traz mais problemas na relação do médium com o seu ego.

Afinal, quem ainda não viu programas ou notícias midiáticas, inclusive de fundo criminalístico e até investigativo, envolvendo sujeitos que são intitulados como médiuns?
Tenho assistido a vários programas de produção internacional que trazem cenas bem parecidas do tipo: "Olha, eu sou médium e converso com pessoas que já faleceram". E, logo em seguida, vem sempre a pergunta: "Alguém próximo morreu?"

Então a pessoa se assusta e logo lembra de alguém próximo desencarnado. Então o médium começa a decifrar coisas que alegam ver e ouvir daquele ser desencarnado.
Analisando bem os casos vistos, no meu ponto de vista,o limite do conhecimento entre o dito morto e seu parente nunca ultrapassa a intimidade da pessoa viva envolvida.
Em todos os documentários que assisti, sempre que a pessoa perguntava coisas que diziam respeito à intimidade de pensamento do desencarnado, o médium muda de assunto imediatamente e volta a falar de circunstâncias que surgem do pensamento do parente vivo que se encontra em prantos e totalmente vulnerável.
Nenhum dos documentários midiáticos que assisti, aconteceu de ser respondida qualquer dúvida para esclarecer sobre o pensamento de um morto assassinado, por exemplo.
Então, para tentar apaziguar os ânimos dos interlocutores, o simpático e carismático médium que fala com mortos conclui:
"Fique sabendo que ele está bem e quer que você siga sua vida feliz".
Ou seja, em torno da produção midiática, nota-se claramente as entrelinhas de generosidade e mensagens do bem, muito comum na doutrina espírita.
Não tenho informações detalhadas ou seguras sobre essas pessoas que protagonizam as cenas acima relatadas. Por isso não me cabe traçar avaliações de valor ético. Mas, certamente essas pessoas estão aproveitando muito bem as oportunidades que lhe surgem em decorrência dessa qualidade mental que possuem.
No meu entender, são pessoas que desde muito pequenas, perceberam ter uma sensibilidade diferente e alguns vivem dando shows, exibindo generosamente suas habilidades de maneira até divertida.
Assim os meios de comunicação do mundo ocidental investiram em apresentações e histórias impressionantes de indivíduos que possuem um certo dom de falar com espíritos. Eis aí um fato incontestável, a mídia encontrou um jeito de lucrar com esse fenômeno e vai investir apenas enquanto estiver dando os resultados desejados.
Decerto a mídia tem investido, por atingir picos desejáveis de audiência e, com isso, promoveram a inclusão dessas pessoas que em tempos passados eram queimadas vivas porque as comunidades tinham medo delas e do mal que poderiam causar.
Mas, em contrapartida, pessoas investem, desenvolvendo habilidades em busca desse empoderamento que pode sim trazer problemas perigosos à sociedade. 
Vou colocar aqui minha definição particular sobre a mediunidade. Trata-se de uma qualidade, que alguns chamam de dom. Alguns nascem ou adquirem com treinamento, permitindo que se comuniquem com energias que, segundo as instituições religiosas espiritualistas, são desencarnados.
Alguns afirmam que a comunicação é telepática, outros que tem visões de figuras, movimentos, objetos que representam simbologias e aprendem a decifrar com o tempo. Existem pessoas que asseveram ver parentes mortos ao lado dos vivos e afirmam que esses espíritos não seguiram seus destinos no processo evolutivo espiritual por questões pendentes materiais que eles não conseguem desvincular suas almas.
Não são poucas as histórias de pessoas que conversaram com indivíduos desencarnados e só descobriram isso depois de alguns parentes confirmarem.
Confesso que essas histórias me causavam pânico e mal estar. Hoje é tão insistentemente divulgado na mídia que consigo assistir até o fim e fazer algumas avaliações.
Tem o espírito de certo médico que desencarnou e, vejam só, o mesmo cirurgião, ao entrar no corpo de determinadas pessoas consegue fazer uma média de mil cirurgias por dia, não citarei nomes aqui também.
Não tenho dúvidas que essas pessoas possuem uma característica de captação mental que as capacitam em desenvolver habilidades incomuns. Tal habilidade pode ser usada para várias finalidades e o indivíduo usará seu livre arbítrio para seguir o caminho que desejar. Mas, a responsabilidade de imposição do limite cabe à sociedade para não sofrer prejuízos decorrentes do excesso de confiança depositada a uma pessoa que embora tenha qualidades diferenciadas, não é um ser divino.
Então,  vamos para a próxima reflexão.
  
O EGO

Egocêntrico é um termo usado para descrever alguém que se considera como o centro de tudo e de todos. Uma pessoa que tenta colocar seus próximos girando em torno de si. Um egoísta, narcisista e até metido.
A semântica da palavra de origem latina, revela que egocêntrico é a junção de ego (eu) e centrum (o meio de tudo, o centro) e revela a tendência de alguém para referir tudo a ele mesmo, fazendo do eu o centro do universo.
Ser egocêntrico consiste em uma exagerada exaltação da própria personalidade, até a considerar como centro da atenção e de atividades gerais. Na pessoa egocêntrica se encontram a imaginação e o pensamento tão permanentemente ocupados com o próprio eu e os seus interesses que é incapaz de se colocar no lugar de outro indivíduo e de contemplar, do ponto de vista de outro eu, a matriz ou aspecto que têm as coisas e acontecimentos. 
Os egocêntricos são sujeitos dispostos a fazer com que outros suportem as próprias dificuldades sem os ajudar, porque não se preocupam com os pensamentos, sentimentos e problemas das pessoas que os rodeiam. Também são capazes de fingir, perante si mesmos e perante os outros, por não se atreverem a enfrentar a realidade, com medo de ferir as suas exigências. Aqui dá para dizer que o egocêntrico tem tendências psicopatas quando perde totalmente a noção do limite entre seu exagerado desejo de ser o centro de tudo.

Vi na internet a história de uns três indivíduos que faziam esses procedimentos mediúnicos afirmando que um mesmo médico desencarnado, possuía seus corpos. Esses médiuns fizeram sucesso e até enriqueceram, praticando essas habilidades mediúnicas. Alguns perderam a noção do limite, a ponto de cometer crimes de pedofilia e estrupos violentos.
Outros médiuns surgem assombrando telespectadores do mundo todo ao exporem suas habilidades de leituras sobrenaturais e muitos aproveitam a oportunidade para nutrir suas vaidades sem preocupação com a aparência exagerada e exótica de um ser empolgado com a fama e o sucesso.
Até um certo ponto de vista, essas manifestações que se tornam cada vez mais frequentes, ajudam a desmistificar os fenômenos e revelam que essas pessoas são seres humanos normais. Antes eram considerados endemoniados ou bruxos do mal.
Hoje, temos muitos registros de religiosos que se encontram condenados a prisões e, até à morte, porque foram tão poderosos em seus conhecimentos sobrenaturais que esqueceram de uma ordem universal: Respeitar a Deus sobre tudo e ao próximo como a si mesmo.
Vale lembrar para ser justa, que esse fenômeno de usurpação do poder acontece com todas as instituições religiosas que colocam no altar um determinado sujeito com tanta autoridade divina, a ponto do mesmo se descuidar das armadilhas de sua condição de ser humano que não está imune aos desejos carnais.
Daí as revelações tão recorrentes de desequilíbrio psíquico e físico, decorrente da busca pelo poder de conhecimentos que o tornem mais iluminado do que o outro. Então o ego de tão massageado domina e provoca estragos nefastos para quem o carrega e os que o alimentam.
Eis aí a consequência da ignorância de um grupo de pessoas movidas por sentimentos mesclados de admiração e medo. E assim esse grupo decide acomodar aquele ser estranho em algum altar.
Essas pessoas precisam ser incluídas no meio social como seres humanos cujos corpos e mentes materiais não diferem em nada dos outros. Portanto, não podem ser colocados em um nível tal que se sintam autorizados a invadir qualquer espaço que para uma criatura normal seria proibido.
Infelizmente, quando surge um ser humano que possui habilidades especiais e espontaneamente usa essas características para produzir algum resultado benigno para si ou para outrem sempre esbarra no limite do ego. Ou por decisão própria ou de outrem.

Agora podemos fazer nossas reflexões finais.
 
REFLEXÕES FINAIS
 
Um exemplo universal e mais conhecido no mundo inteiro é o do mestre Jesus Cristo. Ele surgiu no mundo como um homem comum que tinha informações e características diferentes. Atraiu multidões e isso esbarrou no ego dos sacerdotes judeus que providenciaram sua crucificação.
Um fato lamentável, na minha visão, pois se por trinta e três anos tivemos o privilégio de aprender tanta sabedoria de amor, imaginem quanto aprenderíamos se o mestre permanecesse por mais tempo?
Por outro lado, para algumas pessoas que possuem características diferenciadas para decifrar códigos de energia magnética, são oferecidos privilégios tais que permitem que tais criaturas ultrapassem os limites da moral e da ética.
A lição maior é que ser humano nenhum pode ser colocado no altar enquanto dominado por limites da vaidade e totalmente aprisionado em um corpo tão pesado, com tantas limitações e impurezas.
Percebo que há uma ânsia coletiva por um salvador e quando depositam a confiança em determinada pessoa, demoram para aceitar que tal personalidade é apenas um ser humano qualquer com características diferentes da maioria.
Agora, o julgamento para medir sobre os efeitos produzidos por cada personalidade que surge na mídia ou na história do mundo deve ter como princípio os frutos que colhemos dessa árvore.
Mas, a reflexão que quero deixar aqui é sobre a verdadeira intenção de qualquer pessoa quando pensa na possibilidade de ter um contato com espíritos, ou seres de outra dimensão, independentemente de qualquer crença.
Declaração comum de pessoas que tiveram uma experiência de quase morte é a percepção de paz, amor, beleza. Sentimentos palpáveis e reais reveladores de uma dimensão possível para uma vida eterna.
As instituições religiosas devem se preocupar e desenvolver mais essa verdade entre seus fiéis, afastando-se de questões políticas e materiais.
Acredito numa religião que torne esta matéria mais suportável e as instituições religiosas que se envolvem com o poder e buscam isso sob pretexto de divulgação da fé estão trazendo destruição e isso nada tem de belo.
Ester Farias de Oliveira
Enviado por Ester Farias de Oliveira em 04/04/2019


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