Ester Farias de Oliveira

Momentos e Movimentos, Lúcidos Pensamentos

Textos

QUEM DEVE SER FUZILADO?
 
Um brasileiro entra para a história como o primeiro a ser executado depois da condenação em país estrangeiro, na Indonésia.
As autoridades da Indonésia pedem clemência a uma cidadã que cometeu homicídio e também foi condenada à pena de morte em outro país.
Então há aqui a grande oportunidade em colocar na balança o que seria mais conveniente ou mais justo para cada caso.
Não sei qual homicídio aquela mulher cometeu e não tenho a mínima curiosidade em pesquisar. Não é esse o meu objetivo aqui.
Quero refletir primeiro sobre o motor que trabalha dentro da mente de um criminoso que após perder no jogo da vida, luta para sobreviver mas quer continuar jogando.
A mulher matou uma pessoa e pode ter sido por vários motivos, mas, talvez sua luta pela sobrevivência possa valer a pena para o país que pede clemência. Talvez ela não pretenda continuar matando.
Do outro lado, tem-se um traficante de drogas, brasileiro, que se cumprisse pena em seu país, certamente beneficiaria alguns corruptos e ainda sairia de herói.
Um grande incentivo a tantos outros jogadores da vida que tentam a sorte, arriscando tudo para conseguir alguns milhões de dólares. Afinal de contas, foi um golpe de azar quando um simples assalariado policial de aeroporto resolveu dá umas batidas nos canos daquela recheada asa delta.
O desafortunado não manifestou qualquer arrependimento mas amaldiçoou aquele que atrapalhou tantos planos. E, ainda, encontrou oportunidades para lembrar aos amigos a respeito das conquistas antes de se ver no corredor da morte.
Alguns depoimentos retratam esta pessoa como um sujeito feliz, carismático, esperto, a ponto de compará-lo a um grande filósofo da vida.
No Brasil, o tráfico de drogas é considerado como crime hediondo. Mas não aprovam a pena de morte, embora considerem tal crime tão odioso. Fico pensando se os pobres traficantes que restam encarcerados nos presídios brasileiros não iriam preferir uma condenação instantânea e despida de toda essa hipocrisia.
Mas, voltando à primeira reflexão, uma pergunta que lateja na minha mente: Quem provoca mais morte e desgraça na sociedade: O traficante de drogas ou uma eventual homicida?
Certamente, aqui no Brasil, muitos políticos, principalmente os corruptos, não pensariam muito para dar uma resposta imediata. Mas, contenham-se porque minha pergunta é direcionada àqueles que buscam o convívio saudável e não se importam de pagar impostos, ainda que injustos, alimentando-se da esperança de conviver com pessoas saudáveis e equilibradas.
Ester Farias de Oliveira
Enviado por Ester Farias de Oliveira em 19/01/2015
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